quarta-feira, 24 de abril de 2013

Reflexões de um caderno com capa de desenho animado, pelos idos de 2006

Chega um determinado dia em que qualquer pessoa se questiona.


A variação fica por conta apenas de quais questões se faz e qual a intensidade da vontade de obter as respostas.

Esse dia não precisa ser necessariamente um dia. Um dia é só pra começar o que pode durar alguns dias, meses, anos ou toda a existência neste lugar.


Acho que o meu dia foi 03 de janeiro de 1987.


Desde que nasci questiono tudo e todos.

Nasci um ser questionador.

Por quê?

O quê?
Como?
QUANDO?

Mas penso que houve um erro no meu projeto.

Tenho muitas dúvidas, mas às vezes parece que não tenho lá muita vontade de respondê-las.

Um Amor Gris



Um dia eu quis, quis muito até. Hoje já não quero e nem sei se um dia hei de voltar a querer......e nenhum de nós sabe exatamente quanto tempo ainda temos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Todo dia era dia de índio. Agora, nem isso...


O que fazer quando não cabe no peito?
Quando já não se consegue esconder a dor.
A dor da culpa, da saudade.

Queria tanto ter ido. Queria tanto ter dito.
Queria tanto que estivesse do meu lado agora.
Queria tanto poder comemorar contigo essa vitória.
Você que sempre acreditou mais do que eu.
Você que me disse que um teria orgulho em dizer:
'minha amiga é formada pela UFBA'.

E agora que é verdade já não estás aqui pra ver.

Hoje seria dia bater parabéns e fazer festa. Hoje seria dia de brincar com a idade.
Se fingir chateada por estar ficando 'velha'.

Sempre que sento na frente deste computador olho pro mural bem atrás dele e vejo sua foto.
Ela sempre esteve ali... mas agora, nem isso.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dor!

Dificilmente consigo distinguir entre uma dor de dentro e uma dor de fora.
Entre a dor da alma e a dor do corpo.

Sempre me doeu igual.

Hoje mais uma vez me vejo entre uma e outra.
Dói meu corpo pelos compromissos que me são impostos pelo gênero.
Dói-me a alma pelos compromissos que me impõe (e eu insisto em não cumprir) a sociedade.

Não que a razão dessas dores não passem pela minha consciência e responsabilidade.
Talvez a segunda bem mais que a primeira, mas ambas em alguma medida.

Apenas mais um daqueles casos em que saber o porquê e reconhecer a culpa não faz muita diferença.

Não obstante tudo isso, dói.
Dentro e fora.
Corpo e alma.
Doem!!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Por que eu não fui?


Difícil fazer uma pergunta já sabendo que JAMAIS terá a resposta.

Mesmo tendo ido lá e te visto pela última vez, ainda não consigo acreditar que fostes.

Talvez a culpa por não ter ido antes.
Talvez a frustração de ter acreditado que não aconteceria.
Não com você.
Tão forte, tão brava.
Quantas vezes a vi em estados que qualquer ser humano comum
estaria à beira da loucura e suportaste tão belamente.

Mas ainda assim eu deveria ter ido.
Deveria ter ficado ao seu lado como me pedistes, como eu prometi.

E agora?

Talvez se eu tivesse a mesma fé certa, aquela que tantas vezes eu vi nos seus olhos.
Se eu tivesse a mesma certeza do que há depois.
Quem sabe não estaria menos doloroso agora.
Quem sabe eu poderia descansar e apenas esperar.

Saudades, remorso, culpa... já nem sei o sentimento que predomina.
Não entendo mas sei que não vai passar, da mesma forma que jamais passará tudo aquilo que gravaste tão profundamente dentro de mim.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Meu Presente, Meu Futuro!

"Hoje é um dia e tanto.
Dia de querer ser mais ainda o melhor do mundo de todos os tempos. 
E o melhor do mundo, descobri - simplesmente é. 
É o que é. 
Sem pensar.
"Os deuses [de si] não se pensam" (Fernando Pessoa). 
São sãos.

Tem que se ser um pouco, pra uma pessoa que nunca se fez de rogada, que foi sempre flecha espiral e parede, pois a vida te ensinou assim mesmo - a ser o que ela é - trabalhando num eterno retorno de espelhos entre ela E ELA mesma, e a vida, tão cruel e terna ao mesmo tempo. 

Tão bonita e breve, feito uma borboleta... 
Tão incerta e cíclica quanto um disco do Miles Davis tocando numa vitrola.
Tão brilhante e bruta, feito um diamante em cirúrgica lapidação...

Tem que ter muita cabeça, cabeça mesmo pra tentar entender o que ela quer dizer ás vezes, porquê é muito brilhante e tenro, por ora ás vezes meio obscuras e confusas as suas palavras de tijolos e massa colorida de modelar. 

Tem que ter muitos olhos, olhos mil para enxergar o que ela vê, criar olhos para enxergar com ela, assistir as citicons milimétricas e metódicas, e as luas com sorriso de playmobil. Ver o que é. Olhar os detalhes. Olhar o olho. Olhar no olho os seus próprios olhos. Ver que você está ali, bem ali dentro, e que nada, nada pode mudar isso, nem o fato de que um dia você ali esteve. 

Ouvidos, para escutar o que não se escuta; de um alfinete que cai na mesa e de tão desengonçado cai no chão, ao alarme do carro que soa desesperadamente na janela. Um riso escarpante no céu da boca, purificando o ar, o tempo, mudando as cores, transformando a noite escura na Noite Estrelada. Ouriçando os pêlos do corpo, que escutam. Cada poro é um ouvido.

Tato, para abraçá-la nem forte nem fraca; agarrá-la com gracejo, acariciá-la como uma nuvem que sabe a hora de partir quando não quer mais, ou de se transmutar numa outra forma. Nem com beijo nem dente. Para senti-la em suas mais variadas texturas, esfregá-la nas mãos, no corpo, sentir o que ela toca. Porque ela toca. Está presente sem tocar. NO frio é mais tangível, no calor é mais suave. Bordar nas mãos uma tatuagem com a primeiro letra de seu nome, é algo que quem fez tudo isso, já fez antecipadamente.

Olfato, para cheirar os perfumes, os cheiros estranhos, aspirar a laranjeira, a mangueira, o pé de andu e amendoeira que crescem na memória regados com muita saudade e amor, e as amoreiras, gerbereiras, girassoleiras, calenduleiras calanchoeleiras, e roseiras que chegam e aparecem em suas mãos de repente, como se você fosse a terra vermelha, e o desejo, sua semente.

Paladar, pra entender como é o sabor do sangue, da hóstia, do purê, do pudim, da água salgada,do doce, meio-doce e do agridoce. Que gosto tem olhar-te até onde conheço. Ouvir o seu arfar de vida ou morte. Cheirar o teu abraço. Beijar o teu lábio matinal, meu primeiro café da manhã de todos os dias. 

Entre tanta coisa Amor, pra mesmo abençoar tanta coisa.
Ele que é deus de si mesmo. E é. É são são. Não se faz de rogado em vielas ruas e aeroportos. Umbrais de portas e janelas e que está no ar, assim como a música, que é também feita dele. Pra ele. Pra ela. 
O que faz casa em tudo em tudo e todos.

Amor pra nunca esquecer o primeiro dia que ela veio ao meu mundo, a esse mundo, ao seu mundo, e brotar um pé, dois pés - uma árvore inteira de vontade de ser o que ela é. Casa, cama, comida, flor, árvore, pedra, mulher, bromélia, amora ou Mona Nadeshiko

Aniversários são tempo. São templos estranhos a cada caminhada. 

Sei que sim, é "Estranha, essa coisa de a cada ano comemorar uma nova morte/esperar pelo tempo/se indagar pela sorte/onde ela me levou/onde foi?/nem tu, nem norte."(Elinaldo Nascimento) Dando a sensação de que o tempo neste mundo está acabando. Tempo que se chega e de certa forma, vai mais a gente. 
Mas que seja de felicidade, falando da forma mais otimista, que é o seu contrário. Mesmo que ela demore ás vezes de chegar na hora certa

Te desejo, te desejei e te desejarei um FELIZ ANIVERSÁRIO, sempre. 
Amo você e realmente te quero pra vida inteira.

OAéQaGMUnO."

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tudo novo, de novo! E mais uma vez, e novamente...

O peito aperta, o coração bate acelerado.

Aparentemente nada de diferente, nada que justifique algo dessa natureza.
Mas no fundo, lá no fundo sinto que algo mudou. Quebrou. Rompeu.
Um estalo mínimo fez parecer que não era nada demais.
Não consigo precisar nem mesmo o momento em que se deu.
Os motivos então, não seria capaz de identificar.

Não, não sei como será daqui pra frente.
Não faço ideia das consequências 
Não imagino que implicações isso possa ter.
Só sei dizer que já não sou a mesma.
Que algo mudou. Quebrou. Rompeu.

Já não me interesso por tantas coisas que por tanto tempo, por todo o tempo, me pareceram vitais.
Já não vejo beleza em cenas que, por vezes, roubaram lágrimas dos meus olhos.
Já não consigo passar indiferente frente a tanta coisa com que jamais me importei.
Não consigo entender por que, mas entendo que algo mudou. Quebrou. Rompeu.
Não sei se fui eu, se foi o mundo ao redor de mim.
Não sei como isso terminará.
Nem sei como ou quando isso começou.

Talvez esteja relacionado aos habituais rituais de mudança de tempo cronológico.
Àquelas mudanças de perspectivas que, não raras vezes, ficam apenas nas promessas vazias.
Talvez nada disso faça sentido e amanhã tudo volte ao seu devido (?) lugar.
Mas hoje vejo que algo mudou. Quebrou. Rompeu.
Bem amanhã, quando o meu tempo cronológico muda, mais uma vez.

Algo mudou. Quebrou. Rompeu.
Não sei o quê.
Não sei porquê.
Não sei quando, muito menos como.

Mas é isso... o peito aperta e o coração bate acelerado.
Já não sou eu, outra pessoa habita em mim.