"Hoje é um dia e tanto.
Dia de querer ser mais ainda o melhor do mundo de todos os tempos.
E o melhor do mundo, descobri - simplesmente é.
É o que é.
Sem pensar.
"Os deuses [de si] não se pensam" (Fernando Pessoa).
São sãos.
Tem que se ser um pouco, pra uma pessoa que nunca se fez de rogada, que foi sempre flecha espiral e parede, pois a vida te ensinou assim mesmo - a ser o que ela é - trabalhando num eterno retorno de espelhos entre ela E ELA mesma, e a vida, tão cruel e terna ao mesmo tempo.
Tão bonita e breve, feito uma borboleta...
Tão incerta e cíclica quanto um disco do Miles Davis tocando numa vitrola.
Tão brilhante e bruta, feito um diamante em cirúrgica lapidação...
Tem que ter muita cabeça, cabeça mesmo pra tentar entender o que ela quer dizer ás vezes, porquê é muito brilhante e tenro, por ora ás vezes meio obscuras e confusas as suas palavras de tijolos e massa colorida de modelar.
Tem que ter muitos olhos, olhos mil para enxergar o que ela vê, criar olhos para enxergar com ela, assistir as citicons milimétricas e metódicas, e as luas com sorriso de playmobil. Ver o que é. Olhar os detalhes. Olhar o olho. Olhar no olho os seus próprios olhos. Ver que você está ali, bem ali dentro, e que nada, nada pode mudar isso, nem o fato de que um dia você ali esteve.
Ouvidos, para escutar o que não se escuta; de um alfinete que cai na mesa e de tão desengonçado cai no chão, ao alarme do carro que soa desesperadamente na janela. Um riso escarpante no céu da boca, purificando o ar, o tempo, mudando as cores, transformando a noite escura na Noite Estrelada. Ouriçando os pêlos do corpo, que escutam. Cada poro é um ouvido.
Tato, para abraçá-la nem forte nem fraca; agarrá-la com gracejo, acariciá-la como uma nuvem que sabe a hora de partir quando não quer mais, ou de se transmutar numa outra forma. Nem com beijo nem dente. Para senti-la em suas mais variadas texturas, esfregá-la nas mãos, no corpo, sentir o que ela toca. Porque ela toca. Está presente sem tocar. NO frio é mais tangível, no calor é mais suave. Bordar nas mãos uma tatuagem com a primeiro letra de seu nome, é algo que quem fez tudo isso, já fez antecipadamente.
Olfato, para cheirar os perfumes, os cheiros estranhos, aspirar a laranjeira, a mangueira, o pé de andu e amendoeira que crescem na memória regados com muita saudade e amor, e as amoreiras, gerbereiras, girassoleiras, calenduleiras calanchoeleiras, e roseiras que chegam e aparecem em suas mãos de repente, como se você fosse a terra vermelha, e o desejo, sua semente.
Paladar, pra entender como é o sabor do sangue, da hóstia, do purê, do pudim, da água salgada,do doce, meio-doce e do agridoce. Que gosto tem olhar-te até onde conheço. Ouvir o seu arfar de vida ou morte. Cheirar o teu abraço. Beijar o teu lábio matinal, meu primeiro café da manhã de todos os dias.
Entre tanta coisa Amor, pra mesmo abençoar tanta coisa.
Ele que é deus de si mesmo. E é. É são são. Não se faz de rogado em vielas ruas e aeroportos. Umbrais de portas e janelas e que está no ar, assim como a música, que é também feita dele. Pra ele. Pra ela.
O que faz casa em tudo em tudo e todos.
Amor pra nunca esquecer o primeiro dia que ela veio ao meu mundo, a esse mundo, ao seu mundo, e brotar um pé, dois pés - uma árvore inteira de vontade de ser o que ela é. Casa, cama, comida, flor, árvore, pedra, mulher, bromélia, amora ou Mona Nadeshiko.
Aniversários são tempo. São templos estranhos a cada caminhada.
Sei que sim, é "Estranha, essa coisa de a cada ano comemorar uma nova morte/esperar pelo tempo/se indagar pela sorte/onde ela me levou/onde foi?/nem tu, nem norte."(Elinaldo Nascimento) Dando a sensação de que o tempo neste mundo está acabando. Tempo que se chega e de certa forma, vai mais a gente.
Mas que seja de felicidade, falando da forma mais otimista, que é o seu contrário. Mesmo que ela demore ás vezes de chegar na hora certa
Te desejo, te desejei e te desejarei um FELIZ ANIVERSÁRIO, sempre.
Amo você e realmente te quero pra vida inteira.
OAéQaGMUnO."
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