quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Devaneios e mais devaneios

Daqui a pouco eu teria de acordar, então acho melhor nem dormir.
Não tenho sono mesmo.
Deveria estar estudando, mas o pensamento divaga.
Penso... reflito... me mordo tentando entender quem eu sou.

Quem eu sou?

A questão não é nova, claro. 
A tenho me feito desde sempre e, quem nunca?
Mas hoje ela tem um sabor diferente. Um quê a mais.
Hoje ela vem acompanhada do 'pra você'.

Quem eu sou, pra você?

Você, esse outro que me desloca de mim e me impele à busca do melhor que posso ser.
Esse que me justifica as indagações, que me retira do conforto, que me move do estático.
Esse que pareço saber muito bem quem é pra mim e que lugar ocupa na minha limitada vastidão.
Esse que não sei bem de onde veio mas que tão rápida e facilmente defini pra onde desejo que vá. Embora reconheça que a mim não cabe certeza alguma.

Daqui a pouco eu preciso acordar e ainda nem consegui dormir.
Me falta o sono. Hoje ele não veio.
Não me veio a vontade de saber sobre o pensamento de mais ninguém que não o meu.
Senti vontade de pensar sobre mim. De refletir sobre a minha existência. De flagelar, se necessário for,
até encontrar em algum lugar meu algo que indique um norte (e por que não um sul?).

A sensação é de desencontro.
De caminhos opostos, de vontades incompatíveis.
De desejos que se tocam num tênue ponto, em apenas um nó desse emaranhado de possibilidades, de sendas, de curvas, de sentidos.

Daqui a pouco o relógio ditará o limite do devaneio. 
Determinará que o tempo da reflexão acabou.
Tempo. 
Ah esse, a quem me sinto obrigada a prestar contas. 
Que me tira tudo que um dia ousei pensar em possuir. 
Tanto que já não consegue mais me tocar com o que insiste em trazer. 
Se vai mesmo.
Você se foi. 
Você está indo. 
Você, infelizmente, irá.

Enquanto isso, daqui a pouco eu irei acordar sem ao menos ter tentado dormir.