quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Aprendizado diário

Hoje eu aprendi que profissionais não choram. 
Aprendi que bons profissionais são aqueles que conseguem separar

completamente as dimensões do profissional e do pessoal;

descobri que o choro de um profissional é chilique.


Sim, chilique.


Aprendi que ser líder é saber mandar e, a todo custo, garantir que te obedeçam.

Jamais permitir que uma sombra de questionamento paire sobre uma ordem.

Não, isso pode colocar em cheque a sua autoridade.

E, se por um só minuto, se sentir ameaçado: CORTEM-LHE A CABEÇA.

É mais seguro.

Dialogar? Não, isso é moderninho demais. O que sempre funcionou foi a demagogia.
Vamos proferir todo o discurso politicamente correto, mas na prática, vamos apenas

reproduzir as atitudes daquele carrasco que criticamos outrora. 
Afinal, se um dia fomos oprimidos, que custa oprimir um pouquinho agora? 
É bom que todos passem por isso. Pra aprender.


Hoje eu também aprendi que nem toda nudez será castigada. Só a da alma.

A do corpo é tendência, tá na moda. 

Dá até uma boa pesquisa, um bom artigo, uma dissertação quem sabe?
Lidar com os polêmicos mamilos é desconfortável, admite-se, mas ao menos não são

as vergonhosas lágrimas de quem ousa ser tão franco e sincero que, por vezes, transborda.

E em qualquer lugar. Onde já se viu? Isso não. É anti-profissional demais.


Aprender tudo isso machucou. 
É como diz aquele ditado: a verdade dói.

Sim, dói. Machuca. Arranca um pedaço. Faz parecer que sempre é assim.

Coloca tudo em perspectiva e nos apresenta aquele mundo que vez ou outra tentamos negar que exista.

Mas da dor sempre vem a força. Das perspectivas, as certezas.

Sim, hoje eu aprendi que se ser profissional (ainda mais da área de Educação) é negar o humano, é ser pequeno, é se deliciar com o micro poder de decidir a vida do outro e usar isso da forma mais cruel possível, então eu não sou profissional e nem quero ser.

Mas, como sempre, eu agradeço. 
Agradeço porque hoje eu aprendi um pouco de tudo aquilo que eu jamais quero me tornar.

Fica a lição.

sábado, 12 de março de 2016

Direto do Amanhã

Admito que já nem lembrava da sua existência.

Ando me perdendo tanto em meio aos não-caminhos que sequer guardei em mim o fato de ter um lugar pra voltar.

Inclusive essa foi a lamentação-padrão da semana (sim, ainda depois de tanto tempo, nisso pouca coisa mudou. Lamento informar mais ainda vivo por lamentar): sinto que não tenho para onde voltar.

Óbvio que em tanto tempo muita coisa aconteceu. Muita mesmo. Sensação de vida de cabeça para baixo, como já senti várias vezes, mas dessa vez em níveis estratosféricos. Mas não é sobre isso que quero falar. Aliás, sequer sei se quero falar sobre algo.

Em meio a tantas manutenções, houveram sim algumas mudanças. Uma delas, orgulho-me em dizer: descobri, finalmente, o valor do silêncio. Ainda é um grande desafio fazer uso dele, mas ainda sim o desejo. O busco. O tento.

Me permito manter o silêncio. Aqui.

Não prometo nada, mas sinto que devo retornar em breve. Parece que coisas ainda irão acontecer e irei gostar de ter pra quem contar.

Por enquanto só queria mesmo registrar o que me trouxe de volta. Ler alguém me fez sentir vontade de ser lida. Mas voltar aqui me fez pensar melhor sobre se realmente estou pronta para desencontrar alguém. Ainda não sei. Se descobrir que sim, provavelmente lerão aqui que tive medo, mas cedi. Algo deve significar.

Agora preciso ir, o Amanhã sempre há de ser mais urgente.