sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Minha primeira produção...


Pense,
Primeiro semestre na Faculdade
Curso: Museologia
Disciplina: História da arte I
Tipo de texto: Artigo.
Nunca tinha passado por nada disso,
então tentei.
Escrevi, apaguei, não era bem isso,
pedi socorro, consegui um help
e enfim, a obra final:

A Figura Feminina na Arte Funerária:
Etrúria de ontem, Brasil de hoje.

Mona Ribeiro Santos
Estudante de Museologia

Resumo:
Constitui objeto desta investigação a representação feminina nos monumentos funerários fazendo-se um recorte entre duas obras: uma datada de 150-120 a.C. proveniente do povo etrusco e outra fabricada mo séc. XIX que se encontra atualmente no cemitério do Campo Santo, em Salvador – Ba. Com o objetivo de perceber de que maneira essas duas sociedade apreenderam o papel da mulher na representação mortuária.

Palavras – Chave: Feminino. Mausoléus. Identidade.

Abstract:
It object of this investigation the representation of women in making funeral monuments is a cut between two works: one dating from 150-120 BC from the Etruscan people and other manufactured mo century. XIX which is currently in the Campo Santo cemetery in Salvador - Ba. Aiming to understand in what way these two society seized the role of women representation in death.

Key-words: Women. Mausoleums. Identity.


Todas as sociedades de que se tem registro realizaram algum tipo de cerimônia dedicada àqueles que partiram dessa vida. As manifestações funerárias ocorreram e ainda ocorrem das maneiras mais diversas, mas pode-se perceber na maioria dos casos uma relação entre religião e prática mortuária.
Em muitas sociedades a religião toma para si a árdua tarefa de explicar e dar conforto em relação à morte e para tal se utiliza de inúmeras táticas. Os rituais são dos mais variados, mas a maioria dos casos se utiliza de atividades artísticas: dança, dramatização e principalmente as artes plásticas.
Práticas funerárias quase sempre são acompanhadas de representações pictóricas. Desenhos, esculturas são utilizados quer seja para representar algo que caracterizou o morto em vida ou até mesmo algo que simbolize o desejo dos vivos para a partida daquela pessoa.
Nenhuma outra civilização ficou tão famosa por uma prática funerária quanto a egípcia, que mumificava seus mortos por acreditar que as almas precisariam de um corpo na sua vida após a morte e depositavam dentro do corpo escritos sagrados a fim de que esse morto estivesse devidamente protegido quando chegasse no outro mundo.
Entre os povos etruscos, onde se tinha uma crença de que os mortos poderiam voltar para amedrontar os vivos, era comum ornar os túmulos com figuras alegres em poses que indicam movimentos de dança (ANEXO -A), para que a vida após a morte fosse divertida a ponto de que o morto não sentisse vontade de voltar para amedrontar os vivos.
Nas sociedades cristãs é comum se ver imagens de santos católicos bem como representações de cenas da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, que quase sempre têm como desejo a proteção do ente que se vai.
Na sociedade moderna, o surgimento dos cemitérios possibilitou a existência das Cidades dos Mortos. Locais destinados especificamente à memória daqueles que morreram.
Segundo Lenice Barbosa, mestranda em Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiânia:
O cemitério é o último endereço do homem, sem ele sua memória se perderia. As lembranças de sua pessoa, importância ou relevância social não sobreviveria por muito tempo. As experiências estéticas de tempo, mitos, crenças, medos e devoção situados historicamente se manifestam através das ornamentações espaciais e artísticas. Como forma de relato social e estético, que tem muito a dizer sobre a cultura de seus habitantes.
Através das representações funerárias é possível entender muita coisa sobre sociedades de determinada época e local. Tomando por exemplo os etruscos, nada saberíamos deles não fosse os seus túmulos que, não se sabe por que, não foram molestados pelos romanos, povo que os sucederam no espaço físico, permanecendo intactos até a atualidade. Da mesma forma, os modos de vida de épocas anteriores à nossa, ainda que contados nos livros de história, podem ser exemplificados, dentre outros modos, através das representações tumulares.
Entre os muitos ícones requeridos para ilustrar a arte funerária, daremos ênfase à figura do feminino.
Faz-se interessante observar o tratamento dispensado à imagem do feminino na arte e imaginário da cultura ocidental. Mais ainda, ao que se refere às figuras utilizadas como símbolos nos sepulcros dos cemitérios. O cemitério que tomamos por base guarda em seu interior um número considerável de conjuntos escultóricos, sendo uma grande parte dedicada à figura do feminino.
Porém, tem-se consciência que para analisar as especificidades de cada uma das imagens e seus significados exigir-se-ia um pouco mais de tempo e pesquisa, este texto limitará em tecer considerações sobre as diferença e semelhanças entre duas obras funerárias de representações do feminino. Uma datada de 150-120 a.C. proveniente do povo etrusco e outra que se encontra atualmente no cemitério do Campo Santo.
Os etruscos foram um povo que viveu numa região da Península Itálica onde atualmente se encontra a Toscana. Sabe-se muito pouco dessa civilização, o lugar de onde vieram ainda é uma incógnita, ainda mais pelo fato de seus registros escritos e legados artísticos se parecerem muito pouco com quaisquer outros da mesma época e de regiões próximas. Entre algumas características que o diferenciavam de seus contemporâneos está o tratamento conferido às mulheres. Para as demais sociedades antigas, os etruscos não eram vistos com bons olhos, isso porque suas mulheres não viviam enclausuradas, podiam freqüentar as reuniões sociais e até trocar carinhos com o seu marido em público. Muito diferente de sociedades desse mesmo período como Grécia e Roma. Essa liberdade feminina refletia-se também na arte, na forma como essas eram representadas. Geralmente estavam em situações de festa, até mesmo quando retratadas em túmulos.
Esse sarcófago etrusco (ANEXO -B), trabalhado em terracota (material de preferência nas esculturas desse povo), mostra a cena de uma mulher jacente, reclinada sobre o túmulo. O olhar lânguido, a posição suave e o objeto que ela segura de forma displicentemente na mão sugerem uma mulher despreocupada, tranqüila. As jóias e as vestes nos remetem a uma mulher rica. Essa retratação só poderia mesmo ser feita numa sociedade onde a mulher recebia um tratamento próximo da igualdade com os homens. Num lugar onde a mulher tivesse a liberdade de demonstrar opiniões e se portar de forma um tanto quanto independente. Representar uma mulher assim em um túmulo dá a idéia de uma sociedade além do seu tempo, moderna para os costumes da época e da região.
Por outro lado veremos uma obra de uma época e local onde às mulheres era reservado o trabalho doméstico e o recolhimento (ANEXO –C). Nessa obra observa-se uma mulher prostrada, desolada diante do túmulo. Datada de 1903, de autor desconhecido, essa obra demonstra uma mulher de uma sociedade repressora quanto ao feminino, onde lhe era permitida somente a expressão dos sentimentos em momentos de dor, como a morte de um parente muito próximo. E mesmo assim deveria ser de forma comedida. Para essa questão Lenice Barbosa ainda acrescenta:
A mulher dentro desse contexto é representada como mãe exemplar, vigilante e piedosa. E se me permite acrescentar, como personagem sujeitada aos conceitos cristão-burgueses que relegava a mulher a missão de esposa, mãe e filha dedicadas e obedientes.

No século XVIII, a mulher no Brasil era símbolo da vida doméstica. Criada para ser boa mãe e mulher, contida em seus direitos sociais, voltava-se para a religião, a família e as emoções veladas, e determinada a coroar as conquistas masculinas. Porém, ao elencar a escultura tumular, contabiliza-se um grande número de peças, nas quais o “segundo sexo” é tratado com dignidade e admiração. A ela era reservado o dever de cuidar da casa e dos filhos e devotar ao marido obediência e temor. Era reprimida até no que se diz respeito à expressão de sentimentos, sendo permitido apenas a expressão do sofrimento em momentos de dor. Por isso nesse período a utilização da figura feminina sobre ataúdes era a tradução do sofrimento que a morte faz abater sobre a família.
Segundo Ana Maria Rahme:

A escultura tumular é, especialmente, idealizada para glorificar os ideais perseguidos pelo morto, justificando o caráter nítido de impressionar o fruidor, pela força plástica e pelos temas pungentes. Intérprete de emoções tão significativas, essas manifestações artísticas incorporam o significado de um rito de passagem, como prática social difundida entre os mais diferentes povos de cultura oriental ou ocidental, contribuem, portanto, para a construção de uma história de longa duração.


A história da mulher vem sendo escrita ao longo do tempo. E as representações artísticas dela, que se multiplicam cada vez mais, só auxiliam esse processo. Quer seja numa sociedade primitiva que a valorizava ou numa sociedade moderna que a enclausurou, a mulher sempre foi fonte de inspiração para diversos artistas e na arte funerária não poderia ser diferente. Independente do significado, do sentido, quer seja na argila ou no mármore, o retrato da figura feminina ultrapassa os limites da vida e chega a eternizar-se na arte dedicada à morte.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Lenice. Imagens, Mito -Representatividades Femininas no Cemitério Santana (Goiânia). Goiânia: UFG.

JANSON, H. W. Iniciação à História da Arte. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

LEXIKON, Herder. Dicionário de Símbolos. São Paulo: Cultrix, 1990.

RAHME, Anna Maria. Imagens femininas em memória à vida: a escultura nos
cemitérios de Consolação, Araçá e São Paulo, de 1900 a 1950. São Paulo: FAUUSP, 2000

SANTOS, Jaqueline F. dos. Arte e Morte: eternizando a vida através da arte. Salvador: UFBA, 2007. Ensaio junto ao curso de Artes Plásticas na disciplina de História da Arte I.

SANTOS, Leila. Arte Sepulcral antiga e contemporânea: seus símbolos e crenças, com enfoque no cemitério do Campo Santo. Salvador: UFBA, 2007. Ensaio junto ao curso de Biblioteconomia na disciplina de História da Arte I.

STACCIOLI, Romolo A. Como reconhecer Arte Etrusca. São Paulo: Martins Fontes, 1978.

VIEIRA, Eveline J. de A. Túmulos: morada para a eternidade. Salvador: UFBA, 2007. Ensaio junto ao curso de Museologia na disciplina de História da Arte I.



REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

http://members.fortunecity.com/mpdutra/Italia/etruscos.htm

http://pre-vestibular.arteblog.com.br/43589/ETRUSCOS-uma-cultura-singular/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_etrusca

http://www.suapesquisa.com/egito/mumias_do_egito.htm

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