sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Inferno Astral

É assim que chamam esse período pouco antes do nosso aniversário.

Dizem que nesse período a nossa energia já está nas últimas, que estamos contados os dias pra receber a carga energética da revolução solar. Daí é por isso que tudo pesa mais. A gente não tem paciência, não tem vontade, não tem energia... não consegue.

Partindo desse princípio estou sempre no inferno astral.

Tá, tô sendo um pouco rigorosa comigo, deve haver um dois dias durante o ano em que eu consigo sair da inércia, que eu consigo ser alguém.

Mas a verdade é que, de fato, essa época do ano é sempre mais complicada mesmo. Detesto esse clima de Natal.
Aff... ainda mais nesse ano. Hipocrisia nunca foi minha praia e por aqui esse ano parece mato. Sem falar nessa pataquada de ano novo. Como se dormir em dezembro e acordar em janeiro fosse mudar alguma coisa. Quer dizer, nem dormir pode né? Tem que ficar acordada pro ano não passar por cima.
Dizem.

O negócio é tão sério que não consigo ver graça na vida até quando chega o dia 03/01.
Mas isso pq me esforço muito.
Aí, já sabe, aquela sensação de: ninguém me ama, ninguém se importa o suficiente, eu sempre dou mais do que recebo.
Afff... onde mesmo que câncer tá no meu mapa? É muito drama, nem eu mesma me suporto. E já tô batendo os 32.

Trinta e dois.

T R I N T A E D O I S.

Pois sigo aqui tentando entender esse período e lidando com essa insuportabilidade que nem eu suporto.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Cabaret

Hoje está sendo um daqueles dias em que é muito difícil me amar.

Não que essa seja uma tarefa fácil em algum momento, mas quando a sensação de fracasso e o sentimento de perda estão tão presentes é ainda mais difícil me acolher, me acariciar e compreender que sou humana e falha.

"Everybody loves a winner, so nobody loves me"

Nada mais propício como trilha sonora do meu dia.
É exatamente assim que me sinto: a looser.

Esse negócio de autoamor que ando lendo por aí, que ando admirando quem consegue (invejando talvez seria o melhor termo), que ando me comparando por não conseguir... pra mim é tão difícil.

Aprendi  me rejeitar, a não me amar, a me achar menor, inadequada. Parece que é coisa de Quíron em Gêmeos. Mas a verdade é que ter consciência disso tem sido doloroso, ao passo de que não consigo implementar as mudanças que julgo necessárias.

Não aguento mais passar dias inteiros fazendo vários nadas, morrendo de culpa pelo sem fim de tarefas que ficam sem fazer, morrendo de vergonha das pessoas que estão a depender da minha produção.
Mas saber disso tem me ajudado em quê?
Não estou eu aqui mais um dia sendo inútil?

E não é nem dizer que não só trabalho. Não trabalho, não estudo, não me divirto, não descanso... apenas fico aqui sendo inútil e sentindo culpa, a culpa me paralisa, daí não consigo fazer nada, não fazer nada me faz sentir inútil, sentir inútil me leva à culpa... e assim entro nesse ciclo vicioso e infinito.

A pior parte é saber que preciso forçar-me: levantar, ouvir uma música, ler alguma coisa, tomar um banho, andar um pouco, fazer a energia circular... mas não o faço. Apenas sigo sendo uma mera espectadora da minha derrota.
Parece que saio do corpo e fico lá de cima observando minha vida descer ladeira a baixo.

De que me adianta saber? De que me adianta ter consciência?

Sequer sei como terminar esse texto. Sequer sei como existir no mundo. Todas as formas me parecem erradas, inadequadas, too much or too less.


Parabéns pela coragem pq sentido não tá teno!

De volta à casa há uma semana.

Como estou me sentindo? O que tenho feito? Pra onde estou indo?

Essa foi uma semana (insira aqui um adjetivo que não consegue pensar agora).

Começou com bastante energia. Acordando bastante cedo e fazendo mil coisas: roupas todas lavadas, comida sempre feita na hora, cuidados ao boyzinho dodói, atenção aos filhinhos felinos, aos amigos... acho que menos a mim.

Tentei retomar a rotina de escritas na mandala, já que a havia abandonado aqui durante a grande viagem. Demorei dois dias pra cuidar do altar da Kwan Yin e depois desse dia lá não retornei. Não retomei o bordado, não estudei astrologia, não me voltei pra MTC... nada ou muito pouco fiz pra mim.

Fui à roda das Plantadeiras, aquela chamada em caráter de emergência para cuidados energéticos. Foi lindo, mas eu nem tava lá direito. Cansaço talvez fosse o nome, dispersão com certeza um pouco.

Tenho um costumo ruim e esquisito de sempre achar que se as coisas não começaram bem o melhor é voltar do início e pra voltar do início é preciso esperar um novo momento propício o recomeço. Nessa brincadeira, acabo perdendo vários dias pois, achando que eles não começaram bem, não vale mais a pena tentar fazê-los funcionar, restando apenas esperar pelo próximo dia para tentar fazê-lo começar da melhor forma e enfim aproveitá-lo.

Aiai... sigo sendo esse ser estranho e esquisito. Às vezes procuro sentido e não encontro.

Tem algumas coisas que vão fazendo sentido mas parece que tô me desconectando delas.

Protocolo Luiz Meira.

Desafios para 2019 já começando em 2018.

Sigo tentando ser alguém melhor. Sigo tentando ser eu mesmo. Sigo sendo.

Que seja!

domingo, 9 de dezembro de 2018

Estamos indo de volta pra casa

Estamos voltando pra casa.

Eu e a outra Mona que se forjou durante esse período.

Sei que nada será como antes amanhã.
Hoje o dia será de deslocamento.
Saí cedo de Faro e agora me encontro no período entre vôos no aeroporto de Lisboa.
Por volta das 16h saio daqui rumo ao meu pedaço de chão do mundo.
O que irei encontrar por lá, tenho um pouco de noção.
O que não irei encontrar talvez seja o que me assusta mais.

Sei que os primeiros dias não serão fáceis.
Nunca são.
Aliás, primeiros qualquer coisa sempre demoram um pouco pra engatar.
E os primeiros dias de retorno depois dessa experiência já prometem a sua complexidade.

Primeiro porque sei que serei engolida pela quantidade absurda de pendências.
Pós graduação, Rede de Educadores, Design Dialógico, FIGAM.
Compromissos pendentes e inadiáveis.
E assumi que preciso também colocar nesse rol de prioridades inadiáveis aquilo que sei que me movimenta.
Nesse momento porei foco em ao menos uma delas: a Medicina Tradicional Chinesa.
Ainda não sei ao certo o lugar dela na minha vida futura, mas sinto uma vontade absurda de me dedicar mais a isso.

Parece que aquele desejo de cuidar que sempre esteve guardado dentro de mim busca nesse caminho uma forma de florescer. Seguir a intuição é o desafio, não é? Pois que seja.

Sinto também que minha fruta não há de cair muito longe do pé.
Amo Educação. Amo Museologia Social.
Me sinto útil ao discutir essas questões, embora saiba que preciso de mais aprofundamento e dedicação.
Não sairei dessa trilha.

Hoje me parece difícil pensar em conciliar essas duas sendas mas ainda assim não sinto estar numa bifurcação. Prefiro acreditar em caminhos paralelos que, ora eu percorro mais por um, ora eu percorro mais por outro, mas que logo ali em frente irão convergir numa única estrada.

As coisas estão confusas ainda.
Já até perdi as contas das vezes que achei que iriam desconfundir e depois confundiram-se ainda mais. Não sei como serão os dias daqui pra frente, me angustio pelas certezas, sofro pela falta de controle.
São muitos desafios que a consciência já entendeu como necessários, são muitos limites que já se apresentaram como possíveis de serem superados, são tantas possibilidades que me sinto perdida. Abrir mão de velhos hábitos também é difícil, por mais que saibamos da necessidade de.

Enfim, tô voltando pra casa.
Estamos.
Eu e a outra Mona.
Sei que eu irei encontrar afeto, acolhimento, amor e cuidado. Eu não tenho medo do que lá está.
O que me preocupa é o que não está: um lugar para a outra Mona.

Esse nunca existiu porque ela acaba de nascer e nem eu mesma sei o que esperar dela.

O que nos resta é retornar e trabalhar para construirmos juntas esse espaço.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Oito dias

Oito dias se passaram desde que decidi que aqui seria novamente um lugar de abrigo.

Mais uma vez acreditei que o despertar de um dia seria capaz de alterar todo o rumo da existência. Mais uma vez falhei miseravelmente, mais uma vez fiz o que sempre faço.

Ou não.

Acho que dessa vez o eureca despertou algo que julgo ser necessário para a manutenção da nova postura, do novo ser: a auto aceitação; o auto cuidado; o auto amor.

Sei bem que nada disso está aqui plenamente, mas acho que pelo primeira vez levo a sério a necessidade de olhar pra mim com mais carinho.

Não condescendência, não auto piedade, não permissividade. Tô falando é de amor mesmo, com toda complexidade que esse sentimento guarda em si.

Já sei que o desafio não será pequeno. Reconheço que ainda tenho muitas reservas com o amor. Embora o reconheça como força motriz da natureza humana, energia vital que eleva o ser à sua razão de existir, sei que ainda não consigo lidar com o tamanho e a potência deste.

Mas outra coisa que sei é que tudo é processo.
Sei, agora sei.
Não posso me cobrar mudanças radicais da noite pro dia, essa não sou eu, esse não é o meu processo. Tenho meu tempo e preciso respeitá-lo. Meus ciclos, minhas idas e até minhas vindas. Ando sentindo que voltei algumas casas, que fiquei algumas rodadas sem jogar, mas tá tudo bem também. Não dá pra achar que todos os dias serão de ganhos. Se assim fosse sequer saberíamos o que são as perdas e perderíamos todo o aprendizado que só elas trazem.

E nesse processo, às vezes serão oito dias, às vezes serão mais, as vezes serão menos e eu só sigo pedindo amor pra me aceitar e carinho pra me acolher.

Sou grata por todas as pessoas maravilhosas que atravessam o meu caminho, mas preciso levar a sério que é preciso me amar antes de amar quem quer que seja. Preciso aprender comigo antes mesmo de me arvorar ao outro.

Até porque amor não acaba, quando mais se usa mais se tem.