Estamos voltando pra casa.
Eu e a outra Mona que se forjou durante esse período.
Sei que nada será como antes amanhã.
Hoje o dia será de deslocamento.
Saí cedo de Faro e agora me encontro no período entre vôos no aeroporto de Lisboa.
Por volta das 16h saio daqui rumo ao meu pedaço de chão do mundo.
O que irei encontrar por lá, tenho um pouco de noção.
O que não irei encontrar talvez seja o que me assusta mais.
Sei que os primeiros dias não serão fáceis.
Nunca são.
Aliás, primeiros qualquer coisa sempre demoram um pouco pra engatar.
E os primeiros dias de retorno depois dessa experiência já prometem a sua complexidade.
Primeiro porque sei que serei engolida pela quantidade absurda de pendências.
Pós graduação, Rede de Educadores, Design Dialógico, FIGAM.
Compromissos pendentes e inadiáveis.
E assumi que preciso também colocar nesse rol de prioridades inadiáveis aquilo que sei que me movimenta.
Nesse momento porei foco em ao menos uma delas: a Medicina Tradicional Chinesa.
Ainda não sei ao certo o lugar dela na minha vida futura, mas sinto uma vontade absurda de me dedicar mais a isso.
Parece que aquele desejo de cuidar que sempre esteve guardado dentro de mim busca nesse caminho uma forma de florescer. Seguir a intuição é o desafio, não é? Pois que seja.
Sinto também que minha fruta não há de cair muito longe do pé.
Amo Educação. Amo Museologia Social.
Me sinto útil ao discutir essas questões, embora saiba que preciso de mais aprofundamento e dedicação.
Não sairei dessa trilha.
Hoje me parece difícil pensar em conciliar essas duas sendas mas ainda assim não sinto estar numa bifurcação. Prefiro acreditar em caminhos paralelos que, ora eu percorro mais por um, ora eu percorro mais por outro, mas que logo ali em frente irão convergir numa única estrada.
As coisas estão confusas ainda.
Já até perdi as contas das vezes que achei que iriam desconfundir e depois confundiram-se ainda mais. Não sei como serão os dias daqui pra frente, me angustio pelas certezas, sofro pela falta de controle.
São muitos desafios que a consciência já entendeu como necessários, são muitos limites que já se apresentaram como possíveis de serem superados, são tantas possibilidades que me sinto perdida. Abrir mão de velhos hábitos também é difícil, por mais que saibamos da necessidade de.
Enfim, tô voltando pra casa.
Estamos.
Eu e a outra Mona.
Sei que eu irei encontrar afeto, acolhimento, amor e cuidado. Eu não tenho medo do que lá está.
O que me preocupa é o que não está: um lugar para a outra Mona.
Esse nunca existiu porque ela acaba de nascer e nem eu mesma sei o que esperar dela.
O que nos resta é retornar e trabalhar para construirmos juntas esse espaço.
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