Hoje está sendo um daqueles dias em que é muito difícil me amar.
Não que essa seja uma tarefa fácil em algum momento, mas quando a sensação de fracasso e o sentimento de perda estão tão presentes é ainda mais difícil me acolher, me acariciar e compreender que sou humana e falha.
"Everybody loves a winner, so nobody loves me"
Nada mais propício como trilha sonora do meu dia.
É exatamente assim que me sinto: a looser.
Esse negócio de autoamor que ando lendo por aí, que ando admirando quem consegue (invejando talvez seria o melhor termo), que ando me comparando por não conseguir... pra mim é tão difícil.
Aprendi me rejeitar, a não me amar, a me achar menor, inadequada. Parece que é coisa de Quíron em Gêmeos. Mas a verdade é que ter consciência disso tem sido doloroso, ao passo de que não consigo implementar as mudanças que julgo necessárias.
Não aguento mais passar dias inteiros fazendo vários nadas, morrendo de culpa pelo sem fim de tarefas que ficam sem fazer, morrendo de vergonha das pessoas que estão a depender da minha produção.
Mas saber disso tem me ajudado em quê?
Não estou eu aqui mais um dia sendo inútil?
E não é nem dizer que não só trabalho. Não trabalho, não estudo, não me divirto, não descanso... apenas fico aqui sendo inútil e sentindo culpa, a culpa me paralisa, daí não consigo fazer nada, não fazer nada me faz sentir inútil, sentir inútil me leva à culpa... e assim entro nesse ciclo vicioso e infinito.
A pior parte é saber que preciso forçar-me: levantar, ouvir uma música, ler alguma coisa, tomar um banho, andar um pouco, fazer a energia circular... mas não o faço. Apenas sigo sendo uma mera espectadora da minha derrota.
Parece que saio do corpo e fico lá de cima observando minha vida descer ladeira a baixo.
De que me adianta saber? De que me adianta ter consciência?
Sequer sei como terminar esse texto. Sequer sei como existir no mundo. Todas as formas me parecem erradas, inadequadas, too much or too less.
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